24/09/2011

{Conversando sobre Teatro} O Quiprocó e a Commedia Dell’ Arte


Essa semana, não lembro bem o dia, estava conversando com alguns amigos sobre os espetáculos que vão passar pelos palcos do Cine Teatro do SESC Centro de Campina Grande, na programação do projeto Palco Giratório.  Uma das peças que mais recebeu elogio, e que terminou rendendo muito assunto para a nossa conversa, foi “Quiprocó”, do grupo teatral carioca Moitará, que se apresentará hoje, 24, às 20hs lá no SESC. Alguém disse que ‘Quiprocó’ foi a melhor ‘coisa’ de Commedia Dell’Arte que ele já assistiu na vida e blá,blá,blá....


Nesse momento você deve está perguntando: O que eu tenho a ver com isso? Ou: “Esse rodeio todo é pra quê? Calma galera! Vou explicar o motivo de tanta conversa. Mas antes é a minha vez de fazer uma pergunta: Você já ouviu falar ou sabe o que é Commedia Dell’Arte?  Pois bem a ideia desse post é conversar um pouco sobre essa forma teatral, para quem for ver ou quem já viu o “ Quiprocó” saiba aproveite melhor o espetáculo.

De acordo com Renato Ferracini em seu livro “A Arte de não Interpretar como poesia corpórea do ator” a Commedia Dell’ Arte, foi a primeira grande escola de ator na evolução da história do Teatro. Segundo o www.portalsaofrancisco.com.br a Commedia dell'arte surgiu na segunda metade do séc. XVI e atingiu sua maior popularidade no séc. XVII e chegou até meados do séc. XVIII, quando entrou em declínio.

Este gênero teatral que durou aproximadamente dois séculos e meio exerceu grande fascínio por quase toda a Europa e influenciou (como ocorre ainda hoje) diversos atores, dramaturgos e encenadores: Shakespeare, Molière, Jean–Louis Barrault, Meyerhold, Jacques Lecoq, Dario Fo, Strehler, Marcelo Moretti, entre outros.

O improviso e um personagem para toda vida

As companhias de Commedia Dell’arte eram itinerantes e possuíam uma estrutura de esquema familiar, excepcionalmente contratando um profissional. Ela se fundamenta nos seguintes parâmetros: A ação cênica ocorria no improviso dos atores, que passavam a ser os autores dos diálogos apresentados, seguiam apenas um roteiro, que se denominava “canovacci”, possuindo total liberdade de criação; os personagens eram fixos, e muitos atores desta estética de teatro viviam seus papéis até a morte.

Os personagens da Commedia Dell’arte possuíam duas categorias distintas, que eram os patrões e os criados. Os personagens mais importantes eram: Arlequim, Pantaleão, Capitão, Polichinelo, e a Colombina. O Arlequim possuía habilidades acrobáticas, era um servo astuto e ignorante, um pouco ingênuo, e estava sempre envolvendo as pessoas em confusões. O Pantaleão era um comerciante idoso e mesmo com a idade avançada costumava se apaixonar facilmente, no entanto era avarento. O Capitão era um militar que gostava de festa, fanfarrão, mas com uma enorme insegurança, própria dos covardes. O Polichinelo era um criado simples e gracioso, que gostava de uma boa macarronada. Já a Colombina era uma criada com extrema agilidade, esperta e inteligente, ela costumava tirar proveito de todas as situações. A maioria dos personagens da Commedia Dell’arte foram incorporados pelo teatro de fantoches.

O Moitará e o espetáculo ‘ Quiprocó’

O Grupo Teatral Moitará, desde 1988 desenvolve uma pesquisa continuada sobre o trabalho do ator, buscando compreender os princípios que fundamentam sua arte, tendo nos estudos dos aspectos e funções da Máscara Teatral a base para a elaboração de uma metodologia própria.  Ao longo desses anos, vem realizando projetos artísticos, didáticos e socioculturais por meio de oficinas, espetáculos, exposições e palestras-espetáculos por todo o Brasil e participando de festivais nacionais e internacionais.

Quiprocó é um espetáculo lúdico, que se alimenta do universo cultural brasileiro para criação de “tipos” genuínos, com seus sonhos, crenças e costumes, fazendo alguns paralelos entre os arquétipos e o gênero da Commedia Dell’Arte.

Quiprocó contempla o espírito festivo dos brincantes, a inventividade dos contadores de causos e a criatividade de sobrevivência do povo brasileiro.

Num encontro oportunista, três “personagens-tipos” - cada um na sua rotina - tentam saciar seus desejos, utilizando artimanhas de sobrevivência e, num jogo divertido de qüiproquós, são deflagrados conflitos dos sentimentos humanos.

No site do grupo você pode assistir um pouco do espetáculo e saber um pouco mais sobre o grupo e suas atividades. http://www.grupomoitara.com.br/index.php

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